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(Transcrito de antigas crônicas.)

 

Cachorrinha”

 

               Eu falava de gatos...? Ahh... claro... da Ratsa etc... mas não do personagem mais importante e próximo que é a LUNA ... a “cachorrinha” menor, (prefiro este termo, ("cadelinha" soaria inadequado) ou melhor, um “serzinho  branco , peludíssimo e cheio de “neuras” humanas ; rabujenta , individualista , terna , afetiva , dominadora , maternal , carente ( adora que lhe cocem a barriguinha )  , sensitiva ... bem ... tudo que diríamos de nossos bichos companheiros de crises e alegrias , aqueles com quem nos abraçamos ou acarinhamos até quando estamos no “fundo do poço” , não desejando passar nosso clima negativo , mas também não conseguindo parar de afagá-los , apertá-los , sem esperarmos resposta , apenas companhia fiel naquele momento . Quantas vezes nos fitaram angustiados por não poderem falar  e amorteceram nossas lágrimas ... sim ... lágrimas ...coisa de humanos ... bichos sofrem mas não vertem lágrimas ... é algo estranho para eles ... nem a mais extrema dor os abençoa com este recurso de alívio ... absorvem de nós por osmose , para sua evolução .

Claro... evolução ... e por menos que sejamos temos algo a ensiná-los , educá-los , para   que não  saiam por aí mordendo visitas, sujem a casa , monopolizem a atenção ou interfiram em  horas indevidas onde nossa privacidade também deva ser  por eles respeitada.

Após algum tempo , passam a ler nossos pensamentos e vontades , mesmo que não citemos seus nomes ou estejam próximos , lá vem o “rabinho” agitado chegando, como se dizendo  ;"me chamou?" "Ói eu aquí!"

Não importa se estamos num mal dia , cansados, de “pilequinho”, sem banho, se roncamos ou temos mau-hálito... lá está o “rabinho” agitado... penso que cães devem ter origem no Japão pois o "NÃO" representa  "SIM", já viram , por acaso rabinhos abanando verticalmente ? Pois é... bem... nem entre nós...

Lembra-se LUNA , da parvovirose que levou sua irmã Branca e quase a você também...? Um mês de lutas e total dedicação, pois veterinários nem sempre fazem milagres , donos sim ... passando energia , afeto, calor , até mesmo quando seu bicho não mais o reconhece e reage  , entre angustiantes dores e traumas do tratamento ... injeções doem...(principalmente se sou eu quem as aplico, quando não acerto meu próprio dedo tentando encontrar pele mais solta ... já me vacinei até com “Ivomex” ... estou livre de pragas e febre aftosa  , fora a raiva ... (risos) )  pensam que é um castigo , não um remédio ... preferem o aconchego... um paninho a lhes aquecer ... ficar perto... adoram mimo... funciona mais do que  a alopatia ... é energia ... amor ...!!!

Engraçado... o  meu passe energético você reconheceu e se ofereceu sem receios , vindo e abaixando a cabeça como se despedindo de um ser que não era eu ... e respeitou como poucos humanos o fariam ... sem forças para se manter , mas ali ficou ... estática e em digna atitude de agradecimento e entrega...incrível... e logo após dois dias internada , recuperou-se quando a tiramos daquele cubículo frio ...  jamais me esquecerei desta imagem ... nem de quando dormia com o braço pendido e dedos molhados de leite para que você e sua irmã não estranhassem nas primeiras noites o “desmame” prematuro e afastamento da mãe, alí na caixinha , ao lado da cama ... ou de quando as levava , uma em cada mão pela rua de noite  e se caía uma chuva cantava "singing in the rain" fazendo-as dançarem comigo , saltando guias e sarjetas , como naquela inesquecível cena do dançarino  Gene Kelly do clássico do cinema “cantando na chuva” e de “Charles Chaplin” das “batatas e dos garfos” ... hehehe... imagino o que os vizinhos estupefatos  não comentavam sobre mim ... será mesmo? Ou invejavam um cara  feliz em meio a chuva dançando com duas “coisinhas”  lindas nas mãos , livre e sem freios , sem compromissos maiores de comportamento social senão o de usufruir de um momento puro de alegria ...??? As crianças adoravam e entendiam ... queriam ver e tocar...participar...   estavam mais perto de meu EU naqueles instantes . Hehehe ...um carioca  de praia escandalizando uma cidade do interior de SP ... pode??? E de quando mordeu a "fila brasileira" ( Ulla) pensando que ela não havia crescido ainda (falta-lhe senso de dimensões ? )   e tive de me atracar com dita cuja de 70 KG enquanto  você , toda rasgada e ensangüentada ainda  nela se atirava  tentando me defender ... coisa  mais doida “”? Mas é vida ... guardaremos cada segundo e minuto , cada sensação compartilhada , e lá ... depois que formos para outra ...  talvez nos encontremos e possamos falar a linguagem universal que intuitivamente nos aproxima e une ... já "pensou...???

 

Minha "cachorrinha"...

 

( Dedico estas linhas aos que sabem o valor do que falo e têm dentro de si a lembrança ou companhia sincera de qualquer animal de estimação)

 

Luna (14/09/91 - 12/04/03)

(Homero Moutinho Filho)

(Publicado na Internet neste mesmo site em 25/11/98)

 

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